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A economia popular e solidária ajuda a superar o capitalismo? PDF Imprimir E-mail
10-Ago-2007
Montar quebra cabeça da Ecopopsol
Montar quebra cabeça da Ecopopsol - Foto de Guto
Nesse último dia 7, através de uma articulação da Secretaria Nacional de Economia Solidária e Projeto Casa Brasil terminou em Brasília um dos cursos de economia solidária que abrangeu os estados: DF, MT, MS, TO e GO.


Esse curso de economia solidária só foi possível, porque antes de mais nada existe grande  sensibilidade e capacidade do projeto Casa Brasil de incorporar novos temas, para além daquilo que foi pensando inicialmente.

A partir de agora o projeto Casa Brasil está concretamente pensando em Economia Popular e Solidária, ou seja, como irá fomentar a economia local no sentido de buscar respostas a milhares de pessoas que vivem nas piores condições que o atual sistema oferece: melhores condições para alguns e piores para a maioria.

Essa articulação da economia solidária como o software livre e inclusão digital vem a cada dia se tornando um movimento único e a idéia de transversalidade e intersetorialidade de temas tem a cada dia ocupado o tempo de mais pessoas.

Dezenas de atividades influenciaram na realização desse curso, que irá acontecer também em outras 4 regiões, permitindo a participação de aproximadamente 200 pessoas.

Em janeiro de 2006 em Porto Alegre, uma articulação entre unidades Casas Brasil, Pontos de Cultura, Rádios Comunitárias e Economia Solidária apontou a necessidade de maior articulação entre esses projetos e movimentos sociais e nesse mesmo evento foi criada a Rede de Articulação e Comunicação Popular. Outro exemplo foi a organização do seminário que levou o nome do combativo jornalista Daniel Hertz, sobre comunicação cultura e movimentos sociais, em julho de 2006 em Mossoró - RN.

Ainda em 2006 durante o Fórum Internacional de Software Livre 7.0, organizamos um debate com o tema: Evento Comunitário EcoSoLivre de Integração e Articulação Popular: http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/EconomiaSolidaria/EventoComunitarioFISL07, onde participaram da organizações movimentos como: Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES, PSL- Ba, PSL-BR, BanSol da UFBA, Unisol Brasil, DCC - UFLA, ATES - Associação do Trabalho e Economia Solidária de Pelotas/RS, a Rede de Comunicação e Articulação Popular e a Associação de Pesquisadores de Economia Solidária - ABPES,

Recentemente aconteceu entre os dias de 10 e 14 de junho, na cidade de Salvador, o Encontro de Cultura Colaborativa – ECCO (http://www.culturacolaborativa.net/). A Economia Solidária esteve presente no debate mais uma vez como protagonista de diversas palestras e discussões. Essa é mais uma demonstração de que nossas iniciativas sempre estão em construção e que devemos estar atentos para criar interfaces e relações como outros projetos e movimentos sociais.

A Economia Solidária é um projeto para a sociedade e, por isso, também é um movimento social. Nesse sentido, pensar em construir uma outra sociedade sem levar em consideração a economia popular e solidária é limitador.

Sair de atividades ricas como essa é animador. Penso logo na idéia de que o planeta e a humanidade tem concerto e que o diálogo é fundamental para quem pensa em viver em paz e harmonia.

Conviver durante 5 dias com cerca de 50 pessoas, que estão no dia-a-dia do projeto e que tem relação direta com a economia popular e solidária e instituições parceiras me alimenta para continuar na luta para mudar esse mundo injusto e egoísta.

A oficina de Economia Solidária demonstrou mais uma vez que, por intermédio do debate, do diálogo, da contraposição e do exercício, todos podem coletivamente chegar a alguns entendimentos fundamentais.

Se pararmos para pensar e conversar, chegaremos as conclusões que de um lado a atual relação social em que estamos atolados forma pessoas psicopatas, gananciosas, corruptas, e desesperadas, que não medem esforços para obter lucro.

Algumas pessoas, por intermédio das suas corporações ou grupos empresariais, e muitas vezes com ajuda dos cofres públicos, acumulam capital, riqueza, poder econômico que se utilizam da impunidade, da dependência, do consumismo, e da alienação para criar marcas, e com isso podem com facilidade interferir com peso na política para atingir milhões de pessoas que ficam cada vez mais pobres. Desta forma, constroem o atual sistema de grandes monopólios, sem nenhuma preocupação com o futuro da humanidade e conseguem apenas viver suas vidas comprando tudo o que puderem. Afinal, o lema é: consumir é tudo que importa nessa vida. Ou, se tenho dinheiro tenho tudo.

Coletivamente entendemos que temos os indivíduos atingidos diretamente por essa lógica do gerenciamento de muitas pessoas por alguns e que os proprietários dos meios de produção se utilizam de métodos administrativos para aumentar a produção, através do controle total dos seus empregados que recebem pagamentos muito inferiores por aquilo que produzem. A diferença fica com os empresários.

Podemos observar que os modelos de administração permitem que apenas os gerentes dominem como todo o processo de produção acontece numa determinada empresa, e que o resto dos funcionários são alienados deste processo, facilitando assim, a exploração, que enriquece alguns com o trabalho da maioria.

Assim chegamos a conclusão de que esse sistema capitalista não é viável para qualquer sociedade viver em harmonia com a natureza.

Durante o curso tivemos o enorme prazer de contar com a presença do Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer.

Durante sua brilhante apresentação, o incansável militante por uma sociedade socialista, que conta com tamanha simplicidade e meiguice, contagiando as pessoas com seu modo de fazer política, disse que a economia brasileira se apresenta em 3 modos importantes: o capitalismo, produção simples (empreendimentos familiares) e a economia solidária.

O capitalismo basicamente organiza a produção social em que muita gente junta produz numa mesma empresa. Essa forma de produção tem uma tendência ao gigante. Muitas fábricas e muitas fazendas organizam 95% da população economicamente ativa, mas que não são donos dos meios de produção, e por isso, vendem sua força de trabalho. A empresa capitalista é propriedade de alguns e sua finalidade é dar lucro e todo o poder ao capital. O modelo capitalista diz que o dono pode demitir qualquer um a qualquer hora. Se fosse o contrário, o dono não poderia impor a sua vontade. E dessa forma o capitalismo não funcionaria, afirma Paul Singer, que completa “a competição dentro das empresas faz com que os de cima promovam os de baixo. Mas muitas vezes sem ética.”

Ele ainda diz que a economia simples é a produção individual, que são os pedreiros, mecânicos, eletrecistas, etc.

Para Paul Singer, a economia solidária é basicamente a igualdade. A igualdade em direitos e não somente em opiniões. Todas e todos tem o direito de saber o que acontece no seu empreendimento, porque, terão de tomar decisões. Se não sabem, não podem tomar uma decisão consciente. Isso exige que os associados precisam querer participar do processo.

A inteligência coletiva nos mostra que 1500 pessoas pensam melhor que 15 pessoas, e a economia solidária toma as decisões em assembléia. Neste sentido ele fez referência ao software livre. O movimento software livre, colaborando entre si, consegue inovar. É um movimento criativo não estimulado pela concorrência de mercado, mas pela idéia de fazer algo melhor e mais eficiente.

Antes e depois da palestra de Paul Singer, debatemos como funciona o sistema capitalista. Como se desenvolve e quais as consequências. Também debatemos que se não queremos esse sistema injusto, então, vamos construir o que?

Sobre esta questão pensamos que uma sociedade justa não pode visar o lucro, destruir a natureza e explorar o ser humano. E para não haver desarmonia com a natureza, temos que ter em mente conceitos básicos como: desenvolvimento local e sustentável, respeito a diversidade, respeito as raças, respeito a igualdade de direitos de gênero, conhecimento livre e cultura local.

Muitas pessoas ao lerem esse texto irão pensar que isso é um sonho e que é bobagem, e isso é previsível. Afinal podemos pensar diferente. Mas daí eu pergunto: já houve alguma mudança sem sonhos? A economia solidária é uma realidade que já acontece. Muitas empresas já foram recuperadas no Brasil e são administradas pelos trabalhadores e sem patrão e existem fóruns, feiras e rede de comércio solidário em todos os estados. Atualmente existem mais de 18 mil empreendimentos que funcionam com gestão coletiva sem a relação patrão empregado.

Será que há 27 anos os idealizadores do software livre não sonharam em construir algo que temos hoje? Muita coisa que era sonho agora é realidade. Temos milhares de desenvolvedores e usuários de software livre, centenas de empresas, governos que utilizam o software livre, tanto, que as empresas de software proprietário sentem-se ameaçadas com o avanço do software livre.

Mas, a cada dia essa luta avança. Temos que trabalhar muito as interfaces e a intersetorialidade de movimentos sociais, projetos sociais e temas relevantes para a construção de uma sociedade justa e solidária.

 
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